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Christina Morais, Advogado
Christina Morais
Comentário · há 8 anos
@kstaut

Eu entendi sim o propósito do artigo. E na verdade, só me dei a liberdade em apontar meu descontentamento, não com o propósito do artigo, mas com a forma como é apresentado, sem nem sequer usar termos próprios do universo jurídico e sim das atividades mercantis, porque vi que vc ainda não é advogada, mas já é profissional de outras áreas afeitas a administração de empresas, como marketing e outros. Então meu comentário foi um alerta pra vc. Como eu disse, é correto organizar-se, pois como profissionais, temos que tirar o nosso sustento e de nossa família da atividade e sem controle financeiro, não há dinheiro no mundo que chegue. Então, ok para a organização. Mas dentro dos limites legais. Em hipótese alguma eu concordo que o lucro e os resultados como todo deva estar à frente na advocacia, porque não somos comerciantes e nosso serviço não é produto, latu sensu. Na advocacia, o cliente está à frente e os resultados devem ser considerados individualmente, caso a caso. Jamais em um "bolo". Cada caso individual, trará algum resultado econômico ao advogado e em vários momentos ao longo do processo e pré processualmente: valor da consulta, honorários iniciais, honorários devidos pela concessão de liminar, complemento positivo pecuniário percebidos pelo cliente no decorrer da ação, donde o advogado receberá uma remuneração porcentual, segunda parcela dos honorários iniciais devidos no momento da prolação da sentença ou em outro momento contratualmente ajustado, honorários finais "ad exitum", e por fim, os sucumbenciais. É muito dinheiro picadinho de muita gente. Sem organização, fica mesmo difícil viver disso. E tudo bem que o advogado se planeje com técnicas financeiras para otimizar esses resultados em prol de seu sustento próprio e de sua família e dos seus colaboradores que também precisam receber e sustentar a si e seus familiares com o fruto do trabalho que realizou para você. O que eu não concordo é com o uso de termos técnicos alienígenas à atividade jurídica em publicações voltadas aos advogados. O público alvo também está lendo. E poderá concluir com tristeza e razão que "advogado só pensa em dinheiro". Advogado tem que pensar só em direito e justiça e o público tem que ter essa impressão pelo bem da sociedade e de nossa classe. O futuro cliente não pode achar que o processo dele estará embolado em outros e que o advogado está pensando numa "média" de resultados para o alcance de "metas" pessoais de produção. Isso é mercantilismo sim. Errado. Podemos fazer tudo isso que vc falou, mas tem que ser LITERALMENTE, caso a caso. Um por um. Daí vemos o que fazemos com a soma. Mas a advocacia de massa é essencialmente uma atividade mercantil na advocacia e deveria ser combatida, mas ao contrário disso, é cada dia mais fomentada.

No entanto, eu elogiei outro artigo seu. Que achei mais humano e em linguajar adequado para tratar de assunto jurídico. Olha lá pra vc ver...
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Christina Morais, Advogado
Christina Morais
Comentário · há 8 anos
O que eu não entendo e nem vou entender nunca é que o Código de Ética é expresso em que a atividade da advocacia não pode ter caráter mercantilista. E o Estatuto da OAB é expresso em dispor que é obrigação do advogado seguir o código. Mas o que mais se vê hoje em dia é matéria relacionada a "gestão" de escritórios de advocacia como se fossem empresas mercantis. E fica por isso mesmo. Até na revista da Ordem aparece. Termos técnicos mais de que próprios da atividade mercantil como "gestão", "departamento", "crescimento", "projeto", "expansão". "solução" (para o problema do escritório e não do cliente). Nada disso deveria fazer parte da realidade de um escritório de advocacia. Tudo bem se organizar, afinal, todos têm que sustentar suas famílias. Mas montar um escritório com os mesmos princípios mercantis... Hum, não gosto. É por isso que inventaram os tais escritórios de massa. Gente uniformizada, doutrinada em palestras motivacionais dos sócios. "Gestão" de processos, como se fosse "produto". Metas de produção (essa é a pior). E a qualidade? E a individualização do atendimento? Aliás, e o processo, pelo amor de Deus. Tá lá, nos autos, com nomes das partes e número do processo copiado e colado sobre uma peça pré fabricada. Apostando alto no "volume". Ah, de 10, 7 vão colar. E os outros 3? Entre eles terá pelo menos 1 que triplicaria a vantagem alcançada na causa se um filho de Deus tivesse se debruçado de verdade sobre seu problema e tivesse identificado um erro de cálculo na sentença passível de embargos. Olha, vc está sendo mercantil: está falando em triplicar a vantagem. Não! Estou falando que o cliente tinha direito a 9 e contentar-se-á com 3, porque seus advogados estavam muito ocupados em alcançar uma meta não sei das quantas, do interesse pessoal deles e não abraçaram a sua causa. Apenas "abarcaram" a sua causa. E há uma grande diferença. Há uma grande diferença quando o cliente liga e seu advogado o reconhece pela voz. E quando o cliente liga e uma ilustre desconhecida "Gisele" atende e o faz repetir todo o caso já relatado a "Josele" de seis meses atrás. E pra falar com o advogado? Ah, a Gisele irá encaminhá-lo para o "setor" competente, não se preocupe. E então, o "Sandro", de quem vc nunca ouviu falar e nem viu mais gordo, lhe promete que passará tim tim por tim tim o seu caso ao advogado, que ele jura, está ciente. A partir do momento em que o final de semana do advogado, é trocado pelos 5 segundos de um colaborador atrás de um cocheiro copiando e colando alguma coisa e jogando números numa tabela qualquer, jogando a vida e o destino do cliente na roleta russa das máquinas, então, esse cara é tudo. É empreendedor, é jóia, é massa, é a cara do sucesso e tal. Mas advogado ele não é. Porém, tudo isso pode, é claro. Só parece mercantilismo, mas não é não. Impressão sua.

No entanto, se um bom advogado, desses de verdade, que cuidam do cliente e da causa e auferem honorários como consequência do seu trabalho (jamais como fim ou propósito) resolve fazer um anúncio discreto, totalmente dentro dos limites legais, não faltarão raposas, hienas, urubus e abutres para lhe infernizar a vida, afinal, esse tipo de advogado, o de verdade, não pode aparecer né. Senão revela toda a podridão dos escritórios "modernos". Deus nos livre e guarde de vir a público que ainda existam advogados de verdade no mundo. Afinal, isso é, em livre e invertida interpretação das regras, "concorrência desleal" para todos os fins; vedado pelo Código de Ética. Tá bom.
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